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Eu e os Livros: Como Tudo Começou!

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Eu e os Livros, é uma história um pouco antiga, já que desde antes de aprender a ler, eu já gostava de ficar com eles. Eu tinha um velho caderno onde rabiscava e ao ver meus próprios desenhos imaginava histórias. Em minha casa sempre teve livros, e olhava-os com curiosidade. “Mamãe quando eu vou para a escola? ” Era a frase que minha mãe sempre escutava e ela sempre me respondia “Você ainda é pequena, vamos deixar para o próximo ano”. Eu sabia que para ler eu tinha que estudar, e naquela época eu achei que poderia aprender na escola. Entretanto, para a minha felicidade, eu aprendi antes de ir para lá.
Três anos, quatro anos e eu já conseguia entender poucas palavras. Com cinco anos eu estava adiantada demais para estudar com as crianças da minha idade, e em menos de um mês eu estava na alfabetização, eu no meio dos grandões. Mesmo lendo as agendas e as lições, eu queria mais, mas isso ficava apenas para mim, não conseguia ler em voz alta para os outros escutarem. Lembro-me, que aos seis anos de idade, a professora da primeira série me pediu para ler em público, todos aqueles olhos esperando que eu iniciasse a leitura e a pressão da professora ao falar “Comece” fez com que eu sentisse uma enorme vontade de chorar e eu realmente chorei naquele dia.
Foi a partir desse momento que os livros foram a minha companhia. Eu havia percebido que sabia ler sim, mesmo que não lesse em público e todos falassem que eu não sabia ler ou não queria ler, e aprendi a me acostumar com meus momentos de solidão segurando sempre um livro em minhas mãos. Então nos intervalos das aulas, era muito comum me ver sentada em algum local escondida lendo ou escrevendo uma história. Livros do autor Monteiro Lobato e outros paradidáticos que eu encontrava na escola, e quando voltava para casa, eu tinha um quarto semelhante a um porão em minha casa que tinha muitos livros, e lá eu ficava lendo livros e mais livros. Meu pai uma vez, sabendo que eu gostava de ler, alugou para mim um livro na escola onde eu estudava, como ele trabalhava lá, ao passar e ver um livro de abelhinhas, lembrou-se de mim, todo sem jeito ele me entregou e eu fiquei sem jeito também, eu já tinha visto aquele livro, mas não havia sentido vontade de lê-lo, não falei isso para ele, e acabei pegando o livro e lendo, fiquei feliz, o livro era bem fofinho.
Com dez anos eu já conhecia todos os livros que tinha em casa, sempre que meus irmãos precisavam de uma pesquisa eu falava onde o livro certo estava, desde a prateleira até a sua página. Não eram poucos livros, e meu pai sempre trazia mais e mais. E foi em uma dessas vezes que meu pai trouxe um livro que eu tenho até hoje: Vida Feliz – Na Cidade e No Campo de Maria de Lourdes Gastal. É um livro antigo, do ano de 1971, conta a história de um menino chamado Homero que vivia na cidade e foi morar no campo para ver se sua saúde melhorava e lá ele começou a encontrar o que seu coração buscava. Eu me identifiquei com a personagem, pela primeira vez, depois de tantos anos lendo livros, eu havia me encontrado em um. Eu ainda me lembro, comecei a ler o livro em minha cama, todas as noites antes de dormir e depois de rezar, era inverno e ficava aquele friozinho gostoso e como a casa não tinha forro, quando chovia eu escutava o nostálgico som da “chuva fazendo música com o telhado” – Essa frase eu sempre falava quando pequena, criada por mim.
Após esse livro, eu devorava todos que pegava, havia encontrado o maravilhoso mundo dos livros, não que antes ao lê-los não fosse maravilhoso, mas quando você consegue viajar pela primeira vez em uma leitura, você não esquece mais o caminho e começa a viajar nos outros também, a leitura fica bem mais construtiva. E foi assim que eu aprendi a dar minha opinião sobre o que estava lendo, eu interpretava cada frase, imaginava como seria e me fazia diversas perguntas que as vezes eram respondidas e outras não. Tive a oportunidade maravilhosa de conhecer O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, um livro que me identifico muito e sem dúvida o meu preferido. Depois disso eu já tinha confiança o suficiente para ler em público, e isso me deixou feliz, mesmo assim, ainda continuei nervosa.
"Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..."
Minha mãe, mesmo sem tempo, parava um pouco o que tinha que fazer, apenas para me escutar ler. Eram nossos momentos, em vez da mãe lendo historias para filha, era o inverso e ela me presenteou com a sua bíblia que ganhou de um padre, quando ela era pequena – Infelizmente, nas muitas mudanças que fizemos e nas travessuras dos meus irmãos pequenos, essa bíblia se perdeu.
Mas não era só a leitura, foi também com dez anos que eu comecei a me dedicar a estudar o espanhol, que antes eu aprendia apenas escutando. Quando eu consegui, estava lendo livros que ensinavam e continham textos em espanhol.
O livro que eu e minha mãe temos como favoritos é: Eu e Minha Luneta do Claudio Martins, é verdade que o livro é todo ilustrativo, mas eu amava sentar com a minha mãe e interpretar os dias dos moradores daquele prédio. Era divertido, e poucos sabem, mas é um livro que estimula sua imaginação e te faz ter pensamentos mais críticos e dá opiniões sobre o que deveria ser, além de ser uma história que traz uma realidade sobre o relacionamento entre vizinhos e você começa a ver quem tinha atitudes mais corretas e quem não tinha.
Eu me apaixonei por Shakespeare desde os primeiros poemas que li. A primeira obra dele que eu li foi Sonho de Uma Noite de Verão e foi a primeira peça teatral que assisti também – infelizmente não foi no teatro e sim pela televisão, na emissora TV Cultura. Outros escritores que gosto muito são Carlos Drummond de Andrade, Khaled Hosseini e Jane Austen.
Depois de tantos anos lendo, em nada me arrependo de ter deixado um pouco aquele lado travesso de criança, de ficar correndo para todos os lados e gritando para estar em um compartimento da casa lendo, eu corria sim, mas com pensamentos nas histórias que lia, subia nas arvores me sentindo uma das personagens de aventura que eu havia visto em um livro. Os livros trouxeram muitas coisas boas para minha formação e ainda trazem coisas maravilhosas para a minha vida. E livros como esses que citei durante o texto, e outros como A Menina que Roubava Livros de Markus Zusak, Marley & Eu de John Grogan, A Bailarina Fantasma de Socorro Acioli, todos os livros de Harry Potter, entre outros, fazem parte da minha história.

Esta é a minha história com os livros, da pequena menina que sentava no chão ao lado de uma estante e mesmo antes de aprender a ler já os admirava e se encantava com eles. Da história de quem teve livros como amigos, de quem conheceu o mundo inteiro e outros mundos sem sair de seu quarto, e agora que viaja, não esquece seus livros. 
Espero que tenham curtido, foi mais um pouquinho de mim para vocês. Até a próxima!

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2 comentários:

  1. Olá Sirlene! A primeira (e única até o momento, infelizmente) obra de Shakespeare que li também foi Sonho de uma Noite de Verão. Era um volume curto e ilustrado, infantil, é claro... Acho que eu tinha 8 ou 9 anos de idade... Nessa época ainda não era perdidamente apaixonada por leitura. Como eu já havia dito, e também mencionei no meu blog, o maior responsável por esse amor todo foi A Menina que Roubava Livros. Aquele livro é mágico.

    Um beijão!

    http://pequenomundodoslivros.blogspot.com.br/

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    1. Oi Maísa, fiquei feliz de te ver por aqui no meu cantinho. A Menina que Roubava Livro é mágico mesmo *-*
      Que eu era pequena li também um assim do Sonho de Uma Noite de Verão <3
      Agradeço a visita :)
      Um abraço!

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