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Eu observava, enquanto esperava...

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Parque da Liberdade - Cidade da criança. Centro da Cidade de Fortaleza, Ce/ Foto de Sirlene Santana
Oi, como vocês estão?
Ontem, eu passei praticamente o dia todo fora de casa, mas não foi na faculdade, fazendo compras ou qualquer outra coisa, foi para resolver um pequeno probleminha. Levantei cedo, muito cedo, ás cinco e trinta eu já havia despertado. Estava frio, tomei um bom banho, e após estar totalmente pronta e ter tomado meu café da manhã fui pegar o ônibus, que além de ter demorado um pouco para chegar, ele ainda demorou mais que o normal para ir ao meu destino.
Quando chego a Cidade da Criança, deparo-me com uma enorme fila de pessoas que estavam lá pelo mesmo motivo que eu. Lá havia pessoas de todo tipo e de vários bairros e até municípios. Homens e mulheres, crianças, adolescentes e o pessoal da melhor da idade, pessoas com personalidade completamente distinta da minha e diferentes umas das outras. E durante sete horas, convivi com 120 pessoas e posso dizer que pude observá-las bastante.

Mas o que ontem teve de tão especial, que quero contar para vocês? Tudo. Desde o nostálgico local, até o comportamento de todas as pessoas. Conheço e passo por este lugar desde minha infância, meu pai segurava minha mão e me mostrava o lago, as estatuas, tudo e eu gostava muito, toda vez que ia ao centro da cidade, esse era sempre o primeiro lugar que eu via.
A Cidade da Criança é um local especial, com muitas histórias para contar, entretanto, a correria do dia a dia e o abandono fizeram com que a luz deste lugar tão lindo, fosse apagada. A segurança não é das melhores, assim como no restante da cidade, lá tornou-se moradia de mendigos, e muitos reclamam, poucos fazem alguma coisa. O local parece esquecido pelos olhares das pessoas que tem que trabalhar ou estudar e passam diariamente por ali. Mas quando você fica um tempo parado – como eu fiquei – pode sentir a tranquilidade que o lugar traz, a beleza que possui e dá para recordar bons momentos do passado, se vê agora no presente e planejar o seu futuro. Encantador não acha?
Um pouco sobre o local[1]: o lugar recebeu como primeiro nome Parque da Liberdade, sendo uma referência a libertação dos escravos no Ceará, e foi urbanizado a partir do ano de 1890, com a orientação do Engenheiro Romualdo de Carvalho Barros e seu auxiliar Isac Amaral, e sendo administrado por Luiz Antônio Ferraz. No ano de 1922, em homenagem ao Centenário da Independência do Brasil, recebeu o nome de Parque da Independência e também foi colocada na entrada principal a estátua de um índio. Foi no ano de 1938 que após algumas reformas recebeu o atual nome de Cidade da Criança. Até Getúlio Vargas não resistiu ao encanto do local, e no ano de 1940, em sua visita a Fortaleza, deu uma passadinha na Cidade da Criança.
Passei sete horas neste lugar lindo, onde muitos apenas passam sem notá-lo, pude observar coisas que durante muitos anos eu não havia visto, e também relaxar um pouco da rotina diária que a vida trouxe para mim. Acredito que apesar da situação que me fez ir lá, eu precisava muito deste momento. Parar. Simplesmente parar. Parei por sete horas, e vi pessoas que também pararam, amigos que sentados em bancos ou na escadaria assim como eu, conversavam e gargalhavam, casais que passeavam, pais com seus filhos e as crianças que brincavam. Para aqueles que apenas se preocupavam com a solução de seu problema, perderam a mágica de admirar o que tinham a sua volta, para os outros que não desistiram, ficaram até o fim, por incrível que pareça, foram poucos ou até nenhum que saiu estressado ou revoltado. Pelo contrário, ali teve música, risadas, conversas, piadas, um senhor que de uma forma simples, mas muito admirável chamou os pombos para serem alimentados – “Cadê meus filhos?” Foi assim que ele chamou sem nem sequer ter jogado um único grão de milho. Algumas pessoas que se conheceram depois de uma boa conversa debaixo da arvore, mães com seus filhos que com certeza estavam afastados por causa da tecnologia, ali estavam juntos novamente rindo, abraçando, conversando e até brincando. Pude fotografar partes deste lugar, mas o que eu vi e vivi por aquelas horas, ficaram e vão ficar por muito tempo em mim. Foi muito simples, e confesso que incialmente não consegui aproveitar tão bem, estava preocupada com meus deveres e quando eu soube que não sairia de lá tão cedo, fiquei chateada inicialmente, mas aos poucos foi passando e Graças a Deus eu pude admirar este momento.
Sempre é bom parar por um momento, nosso corpo e nosso espirito precisam disso. Quando você faz isso, percebe que começa a pensar com mais clareza, que soluções que antes pareciam não existir, agora estão ali na sua frente. Admire um local esquecido na sua cidade ou até mesmo dentro de sua própria casa, modifique o seu dia, e se não tiver como, modifique o seu modo de olhar o lugar onde você está, e você sentirá a diferença e ficará muito mais feliz. Até a próxima.



[1] Nobre, L. (s.d.). Fortaleza Nobre. Acesso em 14 de Janeiro de 2016, disponível em Fortaleza Nobre: http://www.fortalezanobre.com.br/

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